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O que é commonplace book: história, método e exemplos

O que é um commonplace book (caderno de lugares-comuns), como era o índice de Locke, os cadernos de Rui Barbosa e Florestan Fernandes e como começar.

Caderno de lugares-comuns com recortes, marcas manuscritas e abas coloridas.
Ilustração editorial criada com assistência de IA para o KeepAnalog.

Commonplace book, ou caderno de lugares-comuns, é um caderno em que a pessoa copia citações e trechos do que lê e os organiza por temas para encontrá-los depois; The Public Domain Review o chama de "uma enciclopédia pessoal de citações" (Public Domain Review). John Locke publicou em 1685 um método para indexá-lo.

A seguir: de onde vem, como funcionava o índice de Locke, quem usou no Brasil e o que uma edição pessoal de leitura toma da revista, do caderno e do arquivo.

Este guia faz parte do Guia para salvar artigos e ler depois, que organiza todos os guias do tema.

O que é exatamente um commonplace book?

É um caderno para reunir "citações e trechos" das próprias leituras, segundo The Public Domain Review, que lembra que Jonathan Swift o considerava indispensável para um poeta porque "os grandes engenhos têm memória curta" (Public Domain Review). Não registra o seu dia, como um diário: registra o que você leu e quis guardar.

A prática não é curiosidade de museu. A coleção "Reading" da Biblioteca de Harvard inclui commonplace books usados por Joseph Conrad, Washington Irving e Victor Hugo (Harvard Library).

O método de John Locke para indexar

Locke desenvolveu seu sistema ao longo de 25 anos de anotações e o publicou em francês em 1685; a tradução inglesa, A New Method of Making Common-Place-Books, saiu em 1706, depois da sua morte (Public Domain Review). Há uma cópia digitalizada da edição de 1706 no Internet Archive (Internet Archive).

O método começa com um caderno em branco e um índice de duas páginas no início:

  1. Cada anotação fica sob um tema, uma palavra-chave (Locke usa como exemplo Epistola).
  2. O índice tem uma casa para cada combinação de primeira letra e primeira vogal: Epistola vai em "E i".
  3. Nessa casa você anota o número da página onde começa esse grupo de temas, e escreve a nota ali.

Assim, segundo The Public Domain Review, um índice de só duas páginas localizava muitos temas, com menos papel desperdiçado que uma ordem alfabética com páginas reservadas e mais estrutura que uma ordem cronológica (Public Domain Review).

Cadernos de lugar-comum no Brasil: Rui Barbosa e Florestan Fernandes

Uma tese de doutorado da Universidade Federal de São Carlos (2020) estudou os cadernos de frases de Rui Barbosa e Florestan Fernandes: Rui preferia folhas soltas e Florestan, cadernos; o primeiro era mais especulativo e literário ao escolher frases, o segundo mais sistemático e didático (Rosin, UFSCar, 2020). A tese parte da imagem de Sêneca: ler como as abelhas, que juntam pólen de flor em flor para fazer mel.

Revista, caderno e arquivo: o que cada formato oferece

Comparação feita pelo KeepAnalog a partir das fontes citadas e de como o produto funciona.

| | Revista | Commonplace book | Arquivo | Edição pessoal do KeepAnalog | | --- | --- | --- | --- | --- | | Quem escolhe | A redação | Você | Quem conserva | Uma pessoa | | O que guarda | Artigos completos de um veículo | Trechos copiados e notas próprias | Cópias para preservar | Artigos completos de links públicos que você escolheu | | Como se organiza | Por número | Por temas, com índice | Por fundo ou data | Por edição mensal | | Tem fim? | Sim, cada número fecha | Não, cresce | Não | Sim, cada edição fecha | | Origem visível | Assinatura e veículo | Só se você anotar | Sim | Título, autor quando a página informa e site |

A edição pessoal toma da revista o objeto com fim, do caderno a seleção feita por uma só pessoa e do arquivo a origem preservada de cada texto. Diferente de um commonplace book, ela não guarda trechos copiados à mão nem suas notas: guarda os artigos que você escolheu. O que é e o que não é, em detalhe, está em o que é uma edição pessoal de leitura.

O KeepAnalog transforma links públicos elegíveis (páginas HTML ou PDF) escolhidos por uma pessoa em uma edição impressa mensal, por enquanto só na Argentina; ainda não há entrega no Brasil. Nada é impresso nem cobrado antes que a pessoa aprove a sua edição.

Como começar um commonplace book com o método de Locke

Passos montados pelo KeepAnalog a partir do método descrito acima:

  1. Use um caderno com páginas numeradas e deixe as duas primeiras livres para o índice.
  2. Cada vez que copiar um trecho, anote embaixo o autor, o título e de onde ele veio.
  3. Dê um tema ao trecho e registre-o no índice pela primeira letra e pela primeira vogal.
  4. Consulte o índice antes de procurar na memória: ele existe para isso.

Se você marca enquanto lê, sublinhar ajuda a ler? explica quando ajuda e quando não.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre commonplace book e diário?

O diário registra o que acontece com você; o commonplace book reúne citações e trechos do que você lê, organizados por temas para consulta (Public Domain Review).

Como organizar um commonplace book?

Por temas. O método de Locke usa um índice de duas páginas com uma casa para cada combinação de primeira letra e primeira vogal de cada tema (Public Domain Review; Internet Archive).

Quem usava commonplace books?

Locke e, antes dele, John Milton (Public Domain Review); Harvard guarda os de Joseph Conrad, Washington Irving e Victor Hugo (Harvard Library). No Brasil, Rui Barbosa e Florestan Fernandes mantinham seus cadernos de frases (Rosin, UFSCar, 2020).

O que uma edição pessoal toma de uma revista, de um caderno e de um arquivo?

Da revista, ser um objeto impresso que termina; do caderno, ser escolhida por uma só pessoa; do arquivo, manter título, autor e site de origem de cada artigo. Se você salva artigos e não volta a eles, comece por artigos salvos: como voltar a ler.

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